Avaliação é de especialistas que participaram do 4º Fórum Café e Clima promovido pela Cooxupé, em Guaxupé/MG

 

O calor intenso nos últimos meses, sobretudo, desde março, foi fator preponderante para que a safra de café fosse reavaliada no Sudeste do Brasil. As altas temperaturas aliadas, principalmente, à redução no volume de chuvas durante o outono-inverno estiveram no centro dos debates do 4º Fórum Café e Clima, que a Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé) realizou nesta terça-feira (27).

 

Para o coordenador do Departamento de Geoprocessamento da Cooxupé, Éder Ribeiro dos Santos, a estiagem começou mais cedo, a partir de março, e se estendeu até meados de setembro, tendo sido acompanhada, ainda, de muito calor.

 

“O inverno foi muito quente, sendo que, em julho, algumas cidades da área de atuação da Cooxupé registraram temperaturas máximas próximas a 40 graus”, afirma.

 

Antes disso, as chuvas excessivas em outubro de 2021 e janeiro de 2022 acompanhadas de longo período de tempo nublado (baixa radiação solar) acabou por influenciar no pegamento da florada e no peso do fruto (granação). “Tivemos um outubro chuvoso e com baixa radiação solar. Em janeiro isso também ocorreu, o que impactou no pegamento e, consequentemente, no peso e na produtividade do café”, reforça Santos.

 

Avaliações como essa, igualmente, se sustentam porque a Cooxupé investe rotineiramente em tecnologia. Até o final do ano a cooperativa instalará mais 60 estações meteorológicas dentro da sua região de atuação, chegando ao total de 77. E, para 2023, já está prevista a instalação de mais 30.

 

A cooperativa também conta com 350 pluviômetros instalados nas propriedades dos cooperados. Toda esta rede meteorológica tem por objetivo conhecer, detalhadamente, o volume e a forma com que as chuvas se distribuem dentro da sua área de cobertura.

 

Do ponto de vista da fisiologia, o intenso déficit hídrico observado de março a setembro de 2022 e a baixa radiação solar em outubro de 2021 e janeiro 2022 foram alguns dos temas abordados pelo professor Cláudio Pagotto Ronchi.

 

“As baixas temperaturas de julho de 2021 e chuvas excessivas de outubro, acompanhadas de baixa radiação solar podem ter influenciado na diferenciação floral e no pegamento das flores”, explica o professor. Ele também comentou sobre o impacto das condições meteorológicas desfavoráveis sobre o desenvolvimento do cafeeiro e sobre o rendimento.

 

Fenômenos climáticos

Por trás de todos esses componentes que forçam uma revisão da safra e, consequentemente, da produtividade, estão fatores climáticos que impactam o mundo inteiro.

 

Em 2022 o protagonismo foi para a La Niña, um fenômeno natural que consiste no resfriamento anormal das águas do Pacífico (próximo à linha do Equador).

 

Dessa forma, sul e sudeste do Brasil vivenciaram períodos mais intensos de estiagem enquanto que norte e nordeste, tiveram o aumento das chuvas.

 

Conhecedor do tema, o Engenheiro Agrônomo e Agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, confirma que esse é um evento que mexe com a agricultura.

 

“Apesar de enfraquecido, o La Niña ainda está ativo e ocasionou perdas significativas durante a safra 2021/22. Por outro lado, o regime de chuvas deve se regularizar daqui até fevereiro”, conclui.

 

Em suma, com base em projeções e modelos climáticos, é possível antever as tendências, oferecendo um respaldo analítico a toda cadeia produtiva. O evento, na íntegra, fica disponível pelo canal da Cooxupé no Youtube, neste link.

 

Fonte: Cooxupé